27 de Dezembro de 2008

Minha mãe é complicada, deveras.

Hoje mais do que ontem tenho a certeza. Ou é uma forma de animar a nossa relação. Torná-la interessante, com discussões e risos; desentendimentos e carinhos.

O certo é que hoje, mais do que ontem, também sei que é assim e não dou a importância que dava, apenas aprecio e relativizo. Sorrio perante as suas reacções positivas e suspiro perante as negativas.

 

Na véspera de Natal cheguei cheia de sacos. O dela vinha junto. Um presente que procurei com afinco e encontrei sem querer!

Adorei.

Entrei com um sorriso e fui recebida com um raspanete. Ok, tudo normal até aí. Tem sido sempre assim. Juntei-o à colecção dos raspanetes de recepção e segui caminho.

Fui despejando as prendas pela árvore e disse-lhe: Este é o seu.

 

- Quem te mandou gastar dinheiro???? Só gastas dinheiro à toa!

 

Imaginem a minha cara! Mas respirei, suspirei e deixei que o dia seguinte decidisse e suscitasse a reacção positiva.

Primeiro a tormenta depois a bonança. Aqui é igual.

 

Dia 25, acostou-se e no meu ouvido disse um "Obrigada" que há muito não ouvia e sorriu como há muito eu não via. Gostou da prenda na qual gastei dinheiro à toa.

 

Por um momento fiquei estarrecida, depois comentei com os meus botões que um dia vou ser como ela

publicado por Praiamorena às 15:12

24 de Dezembro de 2008

... o normal seria que sim! Mas achei melhor resistir a tentação de ignorar datas, especialmente esta e contar uma pequena historinha. As personagens mantêm-se: mãe e filha. Apenas as épocas variam

 

Foi no Natal de uns valentes anos atrás. Parecido aos outros em que se passou naquele mesmo lugar e com aquelas mesmas pessoas.

Uma euforia desatada por participar nos preparativos e um corre-corre saudável de gente grande pela casa.

 

Já nessa altura a MP (como agora prefiro chamar-lhe) exigia que a filha aprendesse e colaborasse em casa: arrumar, limpar, cartar água, encerar, fazer bolos, fritos, alimentar os animais e tudo o que mais houvesse para fazer.

 

Também nessa altura todas essas tarefas eram uma aventura.

Não custava nada fazer! Falem comigo hoje e proponham metade dessas actividades para um dia e eu torço o nariz com a força que tenho!!!

 

No século passado, na idade da inocência, candidatava-me a tudo. Fazer bolos e fritos era a minha área de eleição, mas nunca fazia exactamente o que queria.

Nos fritos não era eu a bater a massa, nem a colocá-la no óleo a fritar. A função era básica: fazer os feitios: tranças, enrolados, argolas, etc.

 

Ainda assim era mais divertido do que a parte do bolo.

Ficava a olhar c ar de deleite para a elaboração do bolo, à espera de poder pôr as mãos em acção.

A espera era longa. A parte do fim é que me cabia: untar a forma!

Trabalhinho chato, sujo, cheio de minúcia mas que ara mim não tinha nada a ver com "fazer bolo".

E ela, MP, sorria e dizia:

 - Essa é a parte mais importante do bolo. Tens uma grande responsabilidade!

 

Para mim era apenas a mais chata, a mais desagradável e que ninguém dava valor.

Quando as pessoas o comiam nunca perguntavam: "Quem untou a forma deste bolo tão bom?"

Mas sim: "Quem fez este bolo tão bom?!"

Até hoje há o trauma.

Hoje que é véspera de Natal e dia de preparativos lembrei-me disso e espero que ninguém se lembre de me pedir para untar a forma. Seria uma afronta!

O pior é que não posso negar o pedido porque ele vem em jeito de ordem!!!

Mudam-se os tempos mantêm-se algumas vontades

 

Feliz Natal!!!!

publicado por Praiamorena às 09:42

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As histórias andam sempre aqui, a vagar pela mente...
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