16 de Fevereiro de 2011

Ligo-lhe ao fim do dia para cumprir a rotina. Uma mensagem de manhã, uma chamada à noite, tudo para compensar a ausência.

Até aqui nada de novo, até ter falhado com a dita rotina no dia 14.

Porquê? Porque foi um dia complicado, cheio... por mais nada.

Dia 15 ligo-lhe. Do outro lado a voz aguda, estridente, típica de quem vai jogar ao ataque: "Ontem não me ligaste, o meu filho ligou!".

Não percebi à primeira. Ela sabe que às vezes eu não ligo, mas ter chamado o filho à conversa deixou-me intrigada.

"O seu filho ligou-lhe?", ah, lá me lembrei. Ligou porque era dia dos namorados.

Ora bolas, tem um filho e um marido (atenção, tem marido) e reclama por eu não ter ligado no dia dos namorados.

Pensei alto até e ouvi um riso divertido: "Sim, sim. O meu filho ligou-me. Tu nada".

"Pois claro que não liguei", disse-lhe. "E o seu filho só fez bem. Está a compensar o mau filho que foi durante todo o tempo que esteve perto. Agora que está longe mudou".

E ligar-lhe no dia dos namorados porque era o dia dos namorados? Nem me lembro de alguma vez tê-lo feito.

Ela continuava a rir-se sem mudar de opinião. O filho era o pródigo!

Teria graça se não tivesse calhado numa semana complicada, de má gestão de conflitos internos, chuvosa e fria.

A pontaria foi má no que toca ao timing, mas amanhã passo aqui e darei a maior gargalhada depois de reler este curto relato.

publicado por Praiamorena às 21:55

18 de Junho de 2009

 

Andei a pensar nos arrepios que ela me dava e no apoio também.

 

Lembrei-me da primeira vez que me perguntou se eu tinha namorado.

 

Foi mesmo há muito tempo e, na altura, o que eu gostava era do futebol, das equações de matemática, de provar aos outros que era uma miúda inteligente. Nem podia ser de outra forma no país em que cresci, com o meu tom de pele. Ser a melhor da turma era o meu desporto favorito. E, rapazes eram mesmo só para dar caneladas, no máximo ouvi-los dizer que gostavam desta e daquela, se eu os podia ajudar!

 

De repente ela comenta: “A fulana tem namorado, a outra fulana também e tu? Tu tens namorado?”

 

(as fulanas eram as minhas colegas)

 

Estremeci. Pensei para mim: “Está louca!”

 

Respondi com tanto medo que ela duvidou.

 

Olhou com aqueles olhos fulminantes e deixou bem claro: “Ai de ti que tenhas!”

 

Bom, se eu estava mesmo a pensar nisso desisti na hora. Teria preferido um estalo àquela recomendação. Passei anos com isso na cabeça. “Ai de mim que namore, ela pode acabar comigo, só com o olhar, se me toca desapareço”.

 

Foi um dos arrepios mais memoráveis que ela me deu.

 

De qualquer forma achei que ela não estava bem. Nunca tinha reparado que a filha não encaixava nos parâmetros das meninas que namoravam: bonitonas, desinibidas, mais interessantes, portanto.

 

Passaram-se os anos, vieram os namoros. Mas o primeiro foi o que custou mais. Aquela bendita frase não sumia da minha mente.

 

Mas se ela arrepiou também surpreendeu.

Lembro-me de quando decidi estudar longe casa. Deu-me o apoio que eu não esperava, até foi contra muita gente, mas manteve-se firme.

 

Empurrou-me: “Queres ir para aí vai. Por mim ias para os Estados Unidos ou Inglaterra, mas a mamã não pode pagar”.

Foi um “vai até onde as tuas pernas te conseguirem levar”.

 

Gostei, estranhei. Porque acima de tudo era o grito de liberdade que eu tentava dar. Com essa decisão viria tudo: a maturidade, a vontade de conhecer a vida, os namoros (pois com certeza), as maiores quedas também. Mas eu estava disposta, só não entendia porquê que ela também estava! Mas foi melhor para nós.

 

publicado por Praiamorena às 16:38

16 de Dezembro de 2008

Mãe preta é igualzinha às outras, só tenta disfarçar que não se importa, que não quer saber, projectando toda a responsabilidade nos filhos.

Mas chega uma altura que a "coitada" não consegue mais. Tem que ser galinha, proteger a cria com todas as garras, embora de uma forma um tanto ao quanto distorcida :

 

Ela, a mãe, começa a sentir "saudade" da filha que já não está em casa, pelo menos não tanto quanto ela gostaria e adopta o sistema de ligar todos os dias, de manhã, à tarde, à noite, não importa. Ela liga quando a saudade "bate".

 

Mãe: Onde estás?

***** tu pensas: Onde estou ou como estou? E respondes: em casa.

2º dia, volta a ligar

M.: "Onde estás?" antes de começar qualquer assunto.

***** tu outra vez: será possível que ela não se lembra de perguntar como estou?

E ela continua: Onde estás?

 

Bem, sendo que ela insiste, voltas a responder que estás em casa ou no trabalho.

O mesmo episódio volta a repetir-se durante dias a fio.

Tu começas a estranhar tanta insistência em saber onde estás e não como estás.

Ela bem que se importa com o teu estado, mas faz a pergunta sempre ao contrário. No entanto não é por acaso.

Passa uma semana, duas semanas até que ela desabafa:

Ouvi dizer que estás casada!!!

 

Imagine-se isto!

Ela angustiada durante mais de duas semanas, a ligar todos os dias, com a cabeça em água porque ouviu dizer que a filha casou

 

Uma mãe que passou a vida a planear o casamento da filha, para depois saber do sucedido por portas travessas?!

 

Pas possible!!!

 

No último telefonema que faz em que a pergunta persiste: "Onde estás?" A resposta é outra pergunta: Mas porquê insistir em saber onde estou? Se não estou em casa estou no trabalho, é uma rotina implacável!

Mas perante a revelação entende-se o ritual do "onde estás?"

 

Não casei, ando sozinha como sempre e ela foi incapaz de perguntar directamente!

Para mim essa é a prova do medo delas: perderem-nos sem dar conta

 

 

publicado por Praiamorena às 22:20

30 de Setembro de 2008

O que fazem elas, mães pretas, quando querem evitar que os filhos saiam de casa, especialmente se for para a noitada?

É muito simples: aproveitam-se de todas as condições, até as atmosféricas.

Imaginem que chove. Granizo e tudo.

Elas começam:

- Hmmmm... com essa chuva eu não punha os meus pés na rua.

Tu respondes:

- Vou de carro, não há problema.

- Sim, mas de qualquer forma eu não saía à noite. Conduzir com esse tempo - faz assim essa cara de enjoo.

Tu inocentemente continuas na argumentação:

- À hora que vou sair já não vai estar a chover.

- Mas já viste bem o que está a chover? Vai continuar assim de manhã.

 

Começas a perceber que não vale a pena argumentar, porque ela não vai desistir e resolves calar a boca, respondendo apenas com um sorriso.

 

***********************

Foi fazer a sua vida e encontrou-te na paz dos teus pensamentos. Desperta-te apenas com isto:

- Eu não ia!

 

Bom, já tinhas pensado que o assunto era passado mas afinal está mais para futuro e próximo.

Só que noutros tempos ela dizia:

- Tu não vais!!!

E em vez de sorrir amuavas e ias para o quarto, porque nem por obra e graça do espírito santo ela ia mudar de opinião.

 

Como os tempos mudam, para minha alegria e tristeza dela, nem o mau tempo me pára

publicado por Praiamorena às 16:22

08 de Fevereiro de 2008

Daqueles episódios que te põem à beira de um ataque de nervos!

 

Mãe: Tens planos para sexta à noite?

Filha: Sim. Combinei com as minhas amigas um jantar e depois queria saber se posso ir à discoteca.

M: Só queres boa vida.

F: Mas... não é sempre...

M: Não me interrompas! Podes ir a esse jantar mas discoteca não sei.

F: Mas as aulas já acabaram.

M: Não "mas" nem meio "mas". Já disse que ao jantar podes ir.

F: Por favor.

M: Vai falar com o teu pai.

 

A filha vai até ao pai e eis a conversa:

F: Pai pedi à Mãe para ir à discoteca e a um jantar com as minhas amigas, porque não faço nada dessas coisas e vamos festejar as boas notas. A Mãe disse que o Pai é que sabe se posso.

P: Não tenho nada a ver com isso. Vai falar com a tua mãe.

 

De volta à Mãe:

F: O Pai disse para falar consigo.

M: Já sabes a minha resposta.

F: Mas Mãe o quê que custa?

M: Vou pensar nisso.

...

Passa meia hora e a filha volta a tentar:

F: Logo à noite posso ir?

M: Aonde?

F: Então, já falámos...

M: Onde é que tu queres ir mesmo?

F: Diga lá se posso ir se faz favor.

M: Está bem

A filha interrompe e salta de alegria, mas logo lhe passa:

M: Ainda não acabei. Podes sair à noite, mas amanhã de manhã quero-te acordada às 8h porque a casa tem que ser arrumada. Além do básico, quero estores e janelas limpas, azulejos lavados, roupa estendida, almoço feito e tens que ir às compras antes do mercado fechar.

 

Digam lá se isso não tira a vontade até ao Super-Homem?

publicado por Praiamorena às 22:20

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