09 de Outubro de 2008

Pela estrada desce a noite
Mãe-Negra, desce com ela...

Nem buganvílias vermelhas,
nem vestidinhos de folhos,
nem brincadeiras de guisos,
nas suas mãos apertadas.
Só duas lágrimas grossas,
em duas faces cansadas.

Mãe-Negra tem voz de vento,
voz de silêncio batendo
nas folhas do cajueiro...

Tem voz de noite, descendo,
de mansinho, pela estrada...

Que é feito desses meninos
que gostava de embalar?...

Que é feito desses meninos
que ela ajudou a criar?...
Quem ouve agora as histórias
que costumava contar?...

Mãe-Negra não sabe nada...

Mas ai de quem sabe tudo,
como eu sei tudo
Mãe-Negra!...

Os teus meninos cresceram,
e esqueceram as histórias
que costumavas contar...

Muitos partiram p'ra longe,
quem sabe se hão-de voltar!...

Só tu ficaste esperando,
mãos cruzadas no regaço,
bem quieta bem calada.

É a tua a voz deste vento,
desta saudade descendo,
de mansinho pela estrada...

 

Poema: Alda Lara

Música interpretada por Paulo de Carvalho

 

Fonte: aqui

publicado por Praiamorena às 14:41

Doçura e encanto. Nostalgia e sofrimento. Tantas nuances, tantas cores, tantos suspiros e pensamentos...

.)
9 de Outubro de 2008 às 15:29

:)
9 de Outubro de 2008 às 15:32

9 de Outubro de 2008 às 15:46

Maravilhoso. Fico a espera da melodia
10 de Outubro de 2008 às 07:39

feedback
As histórias andam sempre aqui, a vagar pela mente...
Olha! a Praia Morena voltou :) Já tinha saudades d...
Passado um mês... sim, a vida merece pausas de si ...
Isso é bom! O importante é que se consiga ir volta...
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Olá "chato" :) (desculpa ter tomado a liberdade)Va...
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