18 de Junho de 2009

 

Andei a pensar nos arrepios que ela me dava e no apoio também.

 

Lembrei-me da primeira vez que me perguntou se eu tinha namorado.

 

Foi mesmo há muito tempo e, na altura, o que eu gostava era do futebol, das equações de matemática, de provar aos outros que era uma miúda inteligente. Nem podia ser de outra forma no país em que cresci, com o meu tom de pele. Ser a melhor da turma era o meu desporto favorito. E, rapazes eram mesmo só para dar caneladas, no máximo ouvi-los dizer que gostavam desta e daquela, se eu os podia ajudar!

 

De repente ela comenta: “A fulana tem namorado, a outra fulana também e tu? Tu tens namorado?”

 

(as fulanas eram as minhas colegas)

 

Estremeci. Pensei para mim: “Está louca!”

 

Respondi com tanto medo que ela duvidou.

 

Olhou com aqueles olhos fulminantes e deixou bem claro: “Ai de ti que tenhas!”

 

Bom, se eu estava mesmo a pensar nisso desisti na hora. Teria preferido um estalo àquela recomendação. Passei anos com isso na cabeça. “Ai de mim que namore, ela pode acabar comigo, só com o olhar, se me toca desapareço”.

 

Foi um dos arrepios mais memoráveis que ela me deu.

 

De qualquer forma achei que ela não estava bem. Nunca tinha reparado que a filha não encaixava nos parâmetros das meninas que namoravam: bonitonas, desinibidas, mais interessantes, portanto.

 

Passaram-se os anos, vieram os namoros. Mas o primeiro foi o que custou mais. Aquela bendita frase não sumia da minha mente.

 

Mas se ela arrepiou também surpreendeu.

Lembro-me de quando decidi estudar longe casa. Deu-me o apoio que eu não esperava, até foi contra muita gente, mas manteve-se firme.

 

Empurrou-me: “Queres ir para aí vai. Por mim ias para os Estados Unidos ou Inglaterra, mas a mamã não pode pagar”.

Foi um “vai até onde as tuas pernas te conseguirem levar”.

 

Gostei, estranhei. Porque acima de tudo era o grito de liberdade que eu tentava dar. Com essa decisão viria tudo: a maturidade, a vontade de conhecer a vida, os namoros (pois com certeza), as maiores quedas também. Mas eu estava disposta, só não entendia porquê que ela também estava! Mas foi melhor para nós.

 

publicado por Praiamorena às 16:38

Memorável arrepio... fizeste lembrar a minha mãe preta e o meu arrepio de "namoro"... comigo foi mais "companheira"... "já sabes, quando estiveres a namorar podes contar comigo, quero ser tua amiga, uma pessoa com quem possas partilhar as tuas coisas"... dizia ela... eu entre incrédula e sem saber o que dizer, o que pensar!

Pois, mães amigas... amizades controladoras, mas ainda sim não podemos deixar de ver que são bem intencionadas.

Com os olhadelas ou com palavras só nos querem dizer, "não quero que te magoes"... e nós rebeldes seguimos o nosso rumo.
18 de Junho de 2009 às 18:05

Hoje não apetece-me falar muito. Sinto que parte de mim voou para longe, não sei para onde, mas vou encontra-lo talvez ... pelo menos é o que espero.

A liberdade ( ou a suposta liberdade) tem o seu preço e as mães são sempre as melhores amigas do mundo, claro que cada uma a sua maneira, mais meiga ou ríspida, mas no fundo só não querem que a gente se magoa

Beijinhos às mamãs

18 de Junho de 2009 às 18:27

"Ai de ti que te atrevas..."
Como o passado está já tão distante... lembro-me de frases semelhantes, motivos diferentes, a mesma entoação.
Os anos vão passando, vamos mudando o tom de voz, a mensagem... mas de vez em quando, ainda surge aquele arrepio de que falas, aquelas mensagens mais " cortantes", que vão direitinhas à alma...

"Ai de ti que te atrevas..."

Bom fim de semana.
21 de Junho de 2009 às 13:24

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